Fluminense Football Club
Primeiros passos - nasce o Fluminense
Corria o ano de 1901 e o jovem Oscar Alfredo Cox voltava da Suíça, onde
estudou e aprendeu a gostar de futebol. Na chegada ao Brasil foi o
principal responsável pela implantação do esporte no país. Em 1 de
agosto de 1901, o primeiro time formado por Oscar Cox e seus
companheiros partiu para Niterói para enfrentar uma equipe formada por
ingleses. Sua principal realização, porém, aconteceu na data de 21 de
julho de 1902, quando, junto com mais vinte integrantes, fundou o
Fluminense Football Club, em uma reunião na Rua Marquês de Abrantes, 51 –
então residência de Horácio da Costa Santos.
O nome Fluminense
surgiu naturalmente, sem maiores debates ou discordâncias, apesar de a
ideia inicial ter recaído sobre Rio Football Club. Acabou prevalecendo
Fluminense, derivado do latim "flūmen", que significa "rio". O termo
também é usado para se referir aos nativos do estado do Rio de Janeiro
("Flūmen Januarii", em latim)
Graças ao pioneirismo e espírito
empreendedor de Oscar Cox, que implantou, difundiu e popularizou o
futebol fundando do Fluminense Football Club, o primeiro clube de
futebol do Brasil, o esporte bretão se tornou uma paixão entre os
brasileiros. Desde esta época o Fluminense já cumpria o seu papel de
protagonista no futebol brasileiro promovendo o esporte com iniciativas
pioneiras, como a promoção de partidas beneficentes.
O primeiro
jogo do Fluminense Football Club foi disputado em 19 de outubro de 1902,
contra o Rio Football Club, no campo do Payssandu, a primeira goleada:
Fluminense 8 a 0. Em 6 de setembro de 1903, aconteceu a estreia em jogos
interestaduais, com três jogos no campo do Velódromo, em São Paulo. O
escrete carioca somou um empate e duas vitórias.
O público,
sempre crescente, manifestava seu entusiasmo pelo futebol, o que
contribuiu para o surgimento de novos clubes, fazendo, inclusive, com
que em 1910 tivessem início os confrontos entre os combinados carioca e
paulista. Anos mais tarde, graças à fidalguia e ao pioneirismo Tricolor,
foi convocada a primeira Seleção Brasileira.
Oscar Cox, Mário
Frias e C. Robinson assinavam os cartões de convocação aos interessados
na reunião do dia 30 de novembro de 1901, que trataria da fundação do
Rio Football Club, aquele que seria o primeiro clube da cidade exclusivo
para a prática do esporte trazido da Inglaterra. Mas a ideia fracassou.
No
ano seguinte, após um confronto entre os combinados do Rio e de São
Paulo, na capital paulista, em que Oscar Cox deixou fora da equipe um
inglês do Paissandu Atlético Clube, o barrado Mr. Makintosh, ao lado do
brasileiro João Ferreira, apropriou-se do nome Rio FC e fundou o clube
no dia 12 de julho.
Por isso, a convocação de Cox desta vez foi
mais incisiva. O bilhete postal enviado por Álvaro Costa trazia o
seguinte texto: Fluminense Foot-Ball Club. Segunda-feira, 21 do
corrente, às 8 1/2 horas da noite, haverá uma reunião na Rua Marquês de
Abrantes nº 51, a fim de tratar-se da fundação deste club. Assinado: "A
Comissão".
Os 20 participantes foram considerados sócios
fundadores, "sem direito a regalias", e aclamaram Oscar Cox presidente.
Assinaram a lista de presença, nesta ordem: Horácio Costa Santos (dono
da casa), Mário Rocha, Walter Schuback, Félix Frias, Mário Frias,
Heráclito de Vasconcellos, Oscar A. Cox, João Carlos de Mello, Domingos
Moitinho, Louis da Nóbrega Júnior, Arthur Gibbons, Virgílio Leite,
Manoel Rios, Américo da Silva Couto, Eurico de Moraes, Victor
Etchegaray, A. C. Mascarenhas, Álvaro Drolhe da Costa, Júlio de Moraes e
A. H. Roberts. A missão passara a ser encontrar um campo para jogar.
O
Fluminense Football Club foi fundado na casa de Horácio da Costa
Santos, na Rua Marquês de Abrantes, número 51, no Rio de Janeiro. A
sessão de fundação, realizada em 21 de julho de 1902, foi presidida por
Manoel Rios e secretariada por Oscar Cox e Américo Couto. Oscar Cox foi
escolhido o primeiro presidente do clube a partir da proposta de João
Carlos de Mello e Virgílio Leite. Dessa maneira, Manoel Rios tornou-se
secretário da entidade. Em 17 de outubro deste mesmo ano o clube já
estava instalado em Laranjeiras, bairro nobre do Rio de Janeiro.
O
Fluminense foi o primeiro clube a ser criado no futebol carioca, sendo o
mais antigo entre os grandes clubes brasileiros, considerando a prática
do futebol. Inicialmente, o time de futebol utilizava uniforme nas
cores branco e cinza. Todos os seus fundadores eram cariocas, mas nos
primeiros anos, entre os seus sócios, havia vários estrangeiros, em sua
maioria britânicos e alemães.
Em 15 de julho de 1904, após
Assembleia Geral Extraordinária, o Fluminense trocou a camisa anterior
pela tricolor. Passou a adotar as três cores presentes no hino composto
por Lamartine Babo: verde, branco e grená, que passaram a ser as cores
oficiais do clube até hoje. A primeira camisa tricolor do Fluminense foi
criada em 1905,[10] com o Flu tendo disputado a primeira partida com a
sua tradicional camisa em 7 de maio de 1905, em um amistoso no qual
venceu o Rio Cricket por 7 a 1.
Sedes do clube
O Fluminense Football Club obteve sua primeira sede no dia 17 de outubro
de 1902. A instalação inicial do clube tinha como endereço a Rua
Guanabara, a atual Pinheiro Machado, esquina com a Rua do Roso, a atual
Coelho Netto, no bairro carioca de Laranjeiras. O Fluminense alugava o
terreno do Banco da República por cem mil réis. Porém, a primeira opção
dos fundadores do Fluminense, era um terreno na Rua Dona Mariana, mas a
proposta foi recusada pelo proprietário.
Só um ano mais tarde o
terreno foi nivelado. Na época, a máquina niveladora e a de cortar grama
eram puxadas por um burro. Para preservar o trabalho já feito, o animal
era sempre cuidadosamente calçado com luvas de veludo nas quatro patas.
"Faísca" ficou então famoso e conhecido como o "burro mais elegante do
Rio de Janeiro".
Mais tarde o terreno foi comprado por Eduardo
Guinle e imediatamente começaram as obras para a construção da sede.
Antes ela era uma pequena casa branca que servia de moradia para o
vigia. Após a instalação de água e banheiro, o Fluminense já pagava o
dobro do aluguel.
Em 14 de agosto de 1904, foi realizado o
primeiro jogo interestadual no campo da Rua Guanabara, contra o
Paulistano. Este foi o jogo inaugural da nova praça de esportes no Rio
de Janeiro e a diretoria do Fluminense mandou construir uma pequena
arquibancada de madeira para acomodar o público, cobrando os primeiros
ingressos para um jogo de futebol. Além dos sócios do Fluminense e
convidados presentes, foram 806 cartões passados pelos sócios e 190
entradas vendidas a não-sócios na bilheteria, com o ingresso custando
2$000 e uma renda apurada de 1:992$000.
Em 1905, Eduardo Guinle
construiu, por sua conta, a primeira arquibancada em campos de futebol
do Rio de Janeiro. Concluído este melhoramento, o aluguel triplicou
novamente. Neste mesmo ano, mediante empréstimo feito entre os sócios,
foi demolida a primeira sede e construída a segunda.
A
inauguração da terceira sede, em 27 de julho de 1915, foi muito
comemorada, culminando com um baile no rink de patinação, quando foi
entoado o primeiro hino do Fluminense, de autoria de Paulo Coelho Netto.
Ainda
em 1915, o presidente Cunha Freire construiu arquibancada privativa
para os sócios e suas famílias. O plano de expansão foi completado com a
construção de um novo rink, aquisição de mobiliários, instalação
elétrica, aumento das arquibancadas e construção das gerais.
Em
1918, começam as reformas que vão dar origem à quarta sede do
Fluminense. As obras terminam em 1920, sob presidência de Arnaldo
Guinle, que contratou o arquiteto catalão Hyppolito Gustavo Pujol Júnior
para projetar as dependências. Com vitrais franceses e lustres de
cristal, o Salão Nobre se tornou palco de muitos shows, bailes,
desfiles, óperas e balé. Ainda hoje é muito utilizado para festas,
reuniões e gravação de filmes como Anos Dourados, Dona Flor e seus dois
maridos, Villa Lobos, telenovelas e comerciais. A sede é própria e hoje é
tombada pelo patrimônio histórico.
Em 1961, a pedido da
prefeitura e do Governo Estadual, parte de seu terreno foi desapropriado
pela extinta SURSAN (Superintendência de Urbanização e Saneamento) para
ampliação da Rua Pinheiro Machado - uma área de 1.084m² -, que culminou
com a demolição de uma parte da arquibancada. O Governo indenizou o
clube pela perda de seu patrimônio e o Fluminense prestava novamente à
cidade um serviço relevante, mesmo tendo um enorme prejuízo esportivo
com esta medida.
1902-1911: pioneirismo
Após introduzir o futebol no Rio de Janeiro de forma organizada, Oscar
Cox e mais dezenove entusiastas fundaram o Fluminense Football Club em
21 de Julho de 1902. A primeira partida oficial realizou-se no campo do
Paysandu Cricket Club, quando o Fluminense venceu o Rio Football Club
por 8 a 0 em 19 de outubro de 1902.
Em setembro de 1903, o
Fluminense fez a sua estreia em jogos interestaduais, disputando três
jogos na capital paulista. Após enfrentar quatorze horas de viagem,
dirigiu-se à campo para enfrentar o Sport Club Internacional, empatando
de 0 a 0 no dia 6. Já descansado, no dia 8 daquele mês, derrotou o Club
Athletico Paulistano por 2 a 1 no dia 7 e o São Paulo Athletic por 3 a
0.
No fim deste mesmo ano o Fluminense começou os esforços para
fundar a Liga Carioca, o que se concretizou no dia 8 de Junho de 1905.
O
Fluminense promoveu a visita do Club Athletico Paulistano em julho de
1905, tendo disputado duas partidas, nos dias 14 e 16, vencendo o
primeiro jogo por 2 a 0 e perdendo o segundo por 3 a 2, com cerca de
2.500 pessoas assistindo cada partida, contando inclusive com a presença
do Presidente da República, Rodrigues Alves. Presidentes da República
durante décadas compareceriam aos grandes eventos no Fluminense e alguns
deles foram associados deste clube.
Em 22 de outubro de 1905,
aconteceu a primeira partida entre Fluminense e Botafogo, data esta que
marca o clássico de futebol mais antigo do Brasil, o Clássico Vovô.
Nesta ocasião, o Fluminense venceu por 6 a 0.
A primeira partida
da história do Campeonato Carioca deu-se no dia 3 de maio de 1906,
quando o Fluminense derrotou o Payssandu por 7 a 1 em Laranjeiras,
perante cerca de 1.000 torcedores elegantemente trajados, seguindo o
padrão desta época.
Entre 1906 e 1911, o Fluminense dominou
amplamente o futebol carioca, vencendo 5 dos 6 primeiros campeonatos.
Nestes seis primeiros campeonatos, o Fluminense obteve 43 vitórias, 5
empates e apenas 4 derrotas, com 217 gols pró e 49 contra. Em 1907,
quando terminou o campeonato empatado em pontos com o Botafogo, tinha o
melhor saldo de gols no campeonato e no confronto direto, tendo sido
ainda campeão invicto em 1908, 1909 e 1911, neste último sem perder
nenhum ponto.
Em 1911, Edwin Cox, um de seus principais
jogadores, e seu cunhado, o alemão Bruno Schuback, deixaram o clube para
defender o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, para onde levaram também
elevados conceitos de organização, implantando algumas modificações no
clube gaúcho. No final deste ano, mais nove de seus titulares saíram do
clube após grave cisão, indo fundar o departamento de futebol do
Flamengo. Neste ano o Fluminense, torna-se o primeiro clube do Brasil, a
contratar um técnico profissional por longo prazo, o inglês Charles
Williams, recrutado em Londres. Em 1907, o escocês Jock Hamilton havia
sido contratado pelo Paulistano para treinar os seus times por apenas 3
meses, após o que retornou ao seu Fulham FC.
Em 1911, após a
conquista do Campeonato Carioca, surgiu uma crise interna no Fluminense.
A cisão, liderada por Alberto Borgerth, levou nove jogadores tricolores
a criar uma seção de futebol no Clube de Regatas Flamengo, que não
tinha em mente outro esporte que não fosse o remo.
Nos arquivos
do clube estão registrados os seguintes fatos: tendo sido abertas duas
vagas no Ground Committeé - comissão que avaliava a escalação da equipe
que entraria em campo, em julho, com as demissões de Ernesto Paranhos e
Haroldo Cox, ficou resolvido que Oswaldo Gomes e Alair Antunes seriam os
candidatos.
Oswaldo Gomes já era, por escolha da diretoria, da
qual Alberto Borgerth fazia parte, sub-capitão do 1º quadro, o que lhe
tornava natural candidato a uma das vagas e mesmo, para capitão.
Entretanto, Oswaldo Gomes preferiu candidatar-se ao Ground Committeé,
porque Borgerth era o indicado para capitão.
No dia da reunião,
surgiu um candidato da oposição - Joaquim Guimarães - e a votação
terminou empatada: 15 votos para Oswaldo Gomes e 15 para Joaquim
Guimarães. O presidente da Assembleia sugeriu, então, o critério de
considerar eleito o candidato de mais idade e submeteu o seu ponto de
vista à ratificação ou rejeição dos sócios presentes. Por 17 votos
contra, a Assembleia aprovou a sugestão do presidente.
Oswaldo
Gomes estava eleito, de acordo com a vontade da maioria, mas não aceitou
por entender que a questão deveria ser resolvida em outra Assembleia.
Em 7 de agosto, em carta enviada à diretoria, Gomes entregou o cargo de
sub-capitão do 1º quadro.
Nas vésperas do jogo contra o Rio
Cricket, o comitê se reuniu e escalou uma equipe. Borgerth, porém,
sugeriu, com apoio da maioria, que os jogadores fossem consultados sobre
essa escalação. Afonso de Castro, voto vencido, bateu-se contra a
sugestão, ponderando que isso constituía mau precedente, pois iria
transferir aos jogadores as atribuições do Ground Committeé.
Com
exceção de Oswaldo Gomes e James Calvert, os demais jogadores se
pronunciaram pela substituição de Oswaldo por Arnaldo Guimarães e
Paranhos por Borgerth, mas o comitê manteve a escalação anterior, contra
o voto de Borgerth que estava de acordo com a maioria dos jogadores. O
quadro escolhido pelo comitê foi a campo e venceu o jogo por 5 a 0.
No
dia 3 de outubro, entretanto, Borgerth, Othon Baena, Píndaro de
Carvalho Rodrigues, Emmanuel Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida
(Galo), Orlando Mattos, Gustavo de Carvalho e Lawrence Andrews
solicitaram desligamento do Fluminense.
De acordo com
depoimentos, alguns rebelados tricolores, inclusive Borgerth, sugeriram
uma simples adesão ao Botafogo, hipótese imediatamente afastada, pois o
alvinegro, na época, era o inimigo número um, pois tinha se sagrado
campeão carioca de 1910 e deveria ser o adversário a ser derrotado.
Antes
do Flamengo, alguns aventaram a possibilidade de na cisão, irem
reforçar o Paysandu, que a rigor só possuía dois bons jogadores, mas por
ser um clube exclusivamente de ingleses, a hipótese foi vetada. "Vamos
para o Flamengo", concluiu o próprio Borgerth.
A cisão ocorrida
em 1911 dentro do Fluminense teve como um de seus pivôs, Borgerth.
Somente a saída dos nove jogadores titulares do Flu para fundarem a
seção terrestre do CRF não era suficiente.
Naquela época para que
um clube de futebol vingar teria que fazer parte obrigatoriamente da
Liga Metropolitana de Sports Athléticos e, para que isso ocorresse, dois
obstáculos deveriam ser vencidos: o CRF teria que ter um campo de jogo e
ainda deveria ser alterado o regulamento da Liga, que exigia para a
disputa de qualquer campeonato pelo menos um ano no mínimo de filiação.
Em
relato feito pelo próprio Borgerth, no Boletim do Fluminense de junho
de 1952, ele cita que o primeiro obstáculo foi vencido quando o
Fluminense arrendou por quantia irrisória seu campo ao CRF e o segundo
foi conseguido com a grande influência de Mario Pollo na Liga, que
conseguiu a alteração do regulamento, permitindo o Flamengo já disputar o
Campeonato de 1912, vencido na versão da Liga pelo Paysandu e pelo
Botafogo na Associação de Football do Rio de Janeiro.
Desta forma
ocorreu a transferência definitiva de nove jogadores titulares
tricolores - do time campeão de 1911 - para o rubro-negro. No primeiro
Fla-Flu da história, que depois viria a se tornar o clássico mais
tradicional do futebol brasileiro foi disputado no dia 7 de julho de
1912, nas Laranjeiras. De um lado, com a nova camisa do Flamengo, o time
dias antes Campeão Carioca. Do outro, os reservas do Fluminense
transformados em titulares com as exceções de Oswaldo Gomes e James
Calvert, que já eram titulares anteriormente. O resultado não poderia
ser diferente. A alegria e o delírio explodiram nas Laranjeiras com a
comprovação em campo da supremacia de nosso clube: Fluminense 3 a 2
Flamengo. A vingança tricolor havia se concretizado e solidificava-se o
mito de clube vencedor.
1912-1924: tricampeonato e demonstrações de patriotismo
Enfraquecido, o Fluminense ainda encontrou forças para vencer o primeiro
Fla-Flu por 3 a 2, mas já não tinha mais o forte elenco do período
anterior, só voltando a conquistar um título expressivo em 1917.
No
ano de 1914, o America, campeão carioca de 1913, sofreu uma crise em
alguns pontos semelhantes à do Fluminense em 1911, pois setenta
ex-americanos, entre jogadores e sócios, resolveram abandonar o clube, e
escolheram o Fluminense como o clube a ser adotado. Neste mesmo ano, a
Seleção Brasileira faz o primeiro jogo de sua história, no campo do
Fluminense, derrotando o Exeter City, da Inglaterra por 2 a 0, com o
tricolor Oswaldo Gomes fazendo o primeiro gol da história da Seleção,
com cerca de 10.000 pessoas comparecendo ao campo do Fluminense, com a
maioria assistindo o jogo de pé.
Ainda em 1914, o Fluminense
criou o Departamento de Futebol Infantil, com 30 meninos oriundos do
Sport Club Curufaity, que antes disto tinham pertencido ao Club
Athletico Guanabara, e que tinham entre 7 e 12 anos. Em 1917
permaneceram apenas 3 garotos do time campeão Infantil de Primeiros
Quadros de 1916, por conta de terem estourado a idade limite, ano em que
o Infantil do Fluminense tinha 110 jogadores em todas os seus quadros
do Infantil. Campeões de primeiros-quadros em 1916 e do Torneio Início
em 1916 e 1917, bicampeões de segundos-quadros em 1916 e 1917, tiveram
as atividades encerradas em 1918, por conta da falta de campo para
jogar, já que o Estádio das Laranjeiras encontrava-se em construção,
interditando o antigo Campo da rua Guanabara, que ficava no mesmo local.
Em
1915, o Fluminense amplia significativamente a sua sede, incluindo um
aumento da capacidade de suas arquibancadas para 5.000 pessoas, e o
Clube Atlético Paulistano, cujos ideais eram iguais aos seus, considera
como sócios-temporários os sócios do Fluminense de passagem por São
Paulo.
O Triênio de 1917 a 1919 foi repleto de acontecimentos
significativos. Em 2 de outubro, a Confederação Sul-Americana de Futebol
indicou o Brasil como sede do Campeonato Sul-Americano de Seleções de
1918. Como o governo brasileiro não tinha condições de realizar um
evento de tal magnitude, recorreu ao Fluminense, que contraiu vultoso
empréstimo junto ao Banco do Brasil, além de receber grandes
contribuições de seus abastados sócios e de seus torcedores. Em função
da epidemia de Gripe Espanhola em vários países da América do Sul, este
campeonato acabou sendo transferido para o ano de 1919. Finalmente, no
dia 11 de maio deste ano, o Estádio das Laranjeiras, com capacidade
prevista para 18.000 espectadores era inaugurado na vitória da Seleção
do Brasil sobre a do Chile por 6 a 0, e logo no primeiro jogo a lotação
atingiu a marca de 25.000 pessoas.
O Fluminense foi tricampeão
carioca em 1917, 1918 e 1919 tendo disputado 54 partidas nestes
campeonatos, vencendo 44, empatando 5 e perdendo apenas 5, fazendo 178
gols e sofrendo 56, o mesmo número de gols marcados por seu artilheiro
Henry Welfare neste período.
Segundo o historiador Thomaz
Mazzoni, em seu livro História do futebol no Brasil, na parte referente
ao ano de 1919, por conta das desavenças entre o Fluminense e o
Paulistano, o primeiro declarado campeão da Taça Ioduran 1919 por
desistência do Paulistano em enfrentar o Fluminense em razão de
divergências entre as ligas carioca e paulista, com o Tricolor vencendo
por W. O., em 27 de agosto, e o segundo que se julgava no direito de
ficar com ela por ter sido o campeão do ano anterior (a posse era
transitória), a taça acabou indo para o Museu do Ipiranga, na cidade de
São Paulo, como solução de conciliação.
Nos Jogos Olímpicos de
1920, o atleta tricolor Afrânio Antônio da Costa ganhou a primeira
medalha olímpica da história para o Brasil, ao levar a medalha de prata
na competição de tiro. Ainda neste dia, Afrânio e o também atleta
tricolor, Guilherme Paraense, fizeram parte da equipe brasileira que
conquistou a medalha de bronze por equipes na modalidade
tiro-livre-pistola ou revólver, tendo ainda nesta Olimpíada Guilherme
Paraense conquistado a primeira medalha de ouro para o Brasil.
Ainda
em 1920, o Fluminense trouxe para o Brasil o técnico de basquete
norte-americano, de Ohio, Fred Brown, de uma Associação Cristã de Moços
daquele país, que criou um curso formador de técnicos e implantou bases
para a organização deste esporte no Brasil, tendo sido inclusive o
primeiro técnico da Seleção Brasileira de Basquete e conquistado o
primeiro título disputado por esta seleção, os Jogos Olímpicos
Latino-Americanos, tendo o Fluminense contribuído com cinco atletas
nesta ocasião.
Em 1922 o Fluminense, sem contar com o apoio do
governo brasileiro que prometeu dividir os custos das competições e sem
que este tenha cumprido a sua promessa, promoveu o Campeonato
Sul-Americano de Seleções e os Jogos Olímpicos Latino-Americanos, um dos
jogos precursores dos Jogos Pan-Americanos, como os grandes eventos
comemorativos do Centenário da Independência do Brasil. Os altos custos
na adaptação de sua sede se refletiram nos resultados do futebol durante
muitos anos, já que o Fluminense após ganhar o Campeonato Carioca de
1924 só iria conquistá-lo novamente em 1936. Na campanha vencedora de
1924, o tricolor obteve 12 vitórias, apenas um empate e uma derrota, fez
54 gols e sofreu 19, e com seu artilheiro Nilo marcando 28 vezes. Entre
muitas outras melhorias realizadas no clube em 1922, o Estádio das
Laranjeiras foi ampliado para receber 25.000 espectadores.
Praticado
no Brasil desde a segunda metade da Década de 1910, o Voleibol começou a
se organizar no Brasil em 1923, pela iniciativa do Fluminense em
promover um torneio aberto reunindo os clubes filiados à Liga
Metropolitana de Desportos Terrestres.
1925-1935: as primeiras taças internacionais e o início da era profissional
Apesar de não conquistar tantos títulos relevantes no futebol neste
período, numa época em que São Cristóvão e Bangu despontavam junto com
America, Botafogo, Flamengo e Vasco, o Fluminense sagrou-se vice-campeão
estadual em 1925, 1927 e 1935, além de conquistar o Torneio Início em
1924, 1925 e 1927 e o Torneio Aberto em 1935, manteve-se entre os
melhores nesta época, quando a sua pior colocação foi o quinto lugar em
1934.
No dia 15 de julho de 1928, o Fluminense realizou amistoso
(vitória tricolor por 4 a 1) em seu estádio contra o Sporting Club de
Portugal. Os fatos relevantes desta partida, é que esta foi a primeira
vez que este grande clube português usou a sua camisa com listras
horizontais em verde e branco, que viria a ser seu uniforme tradicional
nos anos seguintes, além do tricolor ter conquistado com esta vitória a
sua primeira taça internacional, a Taça Vulcain (conquistaria a segunda
novamente contra o Sporting, 14 dias depois, agora na vitória por 3 a 2
em jogo com um pouco menos de público, por conta da chuva), com o
Estádio das Laranjeiras completamente lotado, tendo o clube colocado
mais 2.000 cadeiras na pista de atletismo para atender a enorme demanda
de público, que queria assistir ao confronto do Tricolor contra um
grande representante do país que até 106 anos atrás ainda era o
colonizador do Brasil, partida esta que teve grandes demonstrações de
patriotismo, que incluíram desfiles de bandas, notadamente as militares,
além de homenagens recíprocas entre os clubes envolvidos.
No dia
9 de março de 1930, um grave acidente de trem ocorrido quando o
Fluminense retornava de um amistoso contra a Seleção da cidade de
Teresópolis (RJ), matou o zagueiro gaúcho Jorge Tavares Py quando este
tentou acionar os freios do vagão em que se encontrava para tentar
minimizar os efeitos do acidente e causando ferimentos em todos os
outros jogadores do Fluminense. Ainda assim, honrando a sua camisa, o
clube levou a termo os seus compromissos naquele ano mesmo tendo um
desempenho apenas satisfatório em seus jogos.
Na Copa do Mundo de
1930, Preguinho, o primeiro capitão da Seleção Brasileira em Copas do
Mundo, marcou também o primeiro gol brasileiro nesta competição.
Em
1933, o Fluminense foi o principal articulador do profissionalismo no
futebol brasileiro, o que redundou em muitas reações fortes, com vários
clubes se posicionando contra, o que ocasionou várias divisões de ligas
entre profissionais e amadoras, em vários estados do Brasil, antes que
esta tese vencesse e se implantasse definitivamente neste país.
No
ano de 1935, o Fluminense contratou 11 jogadores da Seleção Paulista
que era bicampeã do Campeonato Brasileiro de Seleções estaduais, a
principal competição de futebol durante décadas no Brasil. Não
satisfeito, durante os anos que se passaram, juntaram-se aos paulistas
outros jogadores de diversas origens e futebol refinadíssimo, como
Brant, Russo, Hércules, Pedro Amorim, Carreiro e o artilheiro argentino
Rongo (que anteriormente defendera o River Plate), formando um dos
melhores times de sua história.
Neste mesmo ano de 1935 o
Fluminense conquistou o Torneio Aberto, competição que tinha este nome,
pois além dos times profissionais, possibilitava a participação de times
amadores, ao vencer o America na final por 3 a 1. Cabe lembrar que
nesta época havia duas ligas no futebol do Rio, uma profissional,
liderada pelo Fluminense e outra amadora, liderada pelo Botafogo, que
sagrou-se tetracampeão carioca com 3 títulos conquistados nesta outra
liga. O Torneio Aberto era uma oportunidade de times das duas ligas
medirem forças e uma tentativa dos clubes profissionais atraírem os
amadores, o que acabou acontecendo em 1937, com a pacificação do futebol
carioca, que acabou por interromper o Torneio Aberto deste ano, quando o
Fluminense o liderava.
1936-1949: supremacia
Talvez nunca, em sua história, o Fluminense tenha tido uma supremacia
tão grande sobre os seus adversários como entre 1936 e 1941, quando com
um time repleto de jogadores excepcionais, conquistou cinco campeonatos
cariocas e muito se destacou nos amistosos interestaduais e na campanha
que o fez terminar o Torneio Rio-São Paulo de 1940 na liderança, sem que
este tenha sido concluído, por abandono dos clubes paulistas.
Entre
1936 e 1941, o Fluminense obteve 90 vitórias, 21 empates e 21 derrotas
(8 em 1939), com 410 gols pró (106 em 1941, recorde na história do
Campeonato Carioca) e 187 gols contra (44 em 1939). Em 1939, muitos
creditaram a má campanha do time ao fato de ter sido base do Brasil na
Copa do Mundo de 1938 e como não voltou com o título, perdido para a
bicampeã Itália, os jogadores do Fluminense, que formaram a base deste
selecionado, mesmo ajudando o Brasil a conquistar um honroso e inédito
terceiro lugar teria voltado muito abalado emocionalmente, vindo a
perder a motivação no ano seguinte também pelo fato de ser um time com
grande número de ítalo-brasileiros, em plena Segunda Guerra Mundial,
época em que imigrantes italianos e seus descendentes, assim como os
alemães e japoneses, sofreram perseguições e discriminação em grande
parte do Brasil.
Na campanha da conquista do Torneio Municipal de
1938, o Fluminense em 16 jogos obteve 11 vitórias, 1 empate e 4
derrotas, com 39 gols pró e 18 contra, sendo campeão na penúltima rodada
ao vencer o Bonsucesso por 6 a 0, em Laranjeiras.
No Torneio
Extra de 1941, o Fluminense foi campeão ao vencer o São Cristóvão de
Futebol e Regatas por 2 a 1 no Estádio da rua Figueira de Mello, na
penúltima rodada. Em 9 jogos o Fluminense obteve 8 vitórias e apenas 1
derrota (contra o America, por 2 a 1, na última rodada), com 40 gols pró
(média de 4,4 gols por partida) e 13 contra.
O Fluminense formou
uma Escola de Instrução Militar em outubro de 1937 que durante os anos
de 1940 e 1941 conquistou o primeiro lugar em eficiência e disciplina de
todo o então Distrito Federal e preparou um curso de enfermagem em 1942
para auxiliar os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que mais
tarde desembarcariam na Itália, formando 85 enfermeiras, além de doar um
avião para a Força Aérea Brasileira.
Após esta fase excepcional, o Fluminense foi vice-campeão carioca em 1943 e 1949, terceiro em 1942 e quarto em 1944 e 1945.
Em
1946, conquistou o Campeonato Carioca após, ao final do torneio, quatro
equipes terem terminado empatadas, sendo necessária uma fase final
chamada de Supercampeonato para definir o título. Curiosamente o time
tricolor não empatou uma vez sequer na fase inicial deste campeonato,
obtendo 13 vitórias e 5 derrotas, com 74 gols pró e 36 contra. No
Supercampeonato, obteve 5 vitórias e 1 empate, 23 gols a favor e 9
contra. A grande estrela deste campeonato foi o grande artilheiro Ademir
Menezes e o jogo final foi contra o Botafogo, com o Fluminense vencendo
por 1 a 0 perante cerca de 35.000 espectadores presentes (27.094
pagantes) no Estádio São Januário, com gol de Ademir, tricolor desde a
infância, em Recife, que ao terminar a carreira ainda bradava a sua
paixão tricolor pelos microfones da Rádio Nacional.
A segunda
conquista tricolor do Torneio Municipal aconteceu em 1948, sendo
necessários 3 jogos para definir o campeão. Na primeira partida decisiva
o Fluminense venceu o Vasco por 4 a 0 no Estádio de General Severiano,
perdeu a segunda no Estádio da Gávea por 2 a 1 e ganhou a partida
desempate por 1 a 0, com gol de Orlando Pingo de Ouro, de bicicleta, de
novo no Estádio de General Severiano. Em 13 partidas o Fluminense obteve
8 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota, com 31 gols a favor e 14
contra.
A Taça Olímpica
A Taça Olímpica é o mais alto e cobiçado troféu do desporto mundial.
Também chamada de "Taça de Honra", tem como finalidade reconhecer
anualmente, aquele que, no juízo do Comitê Olímpico Internacional, mais
fez em prol do olimpismo e do esporte. Este reconhecimento é considerado
o Prêmio Nobel dos Esportes. A concessão do título é feita pelo COI
após rigoroso e detalhado exame dos dossiês apresentados pelos
candidatos.
Para receber a honraria, o pleiteador deve ser
exemplo de organização administrativa e um vitorioso nos setores
esportivos, sociais, artísticos e cívicos. Um complexo de perfeição
durante um ano inteiro, e escolhido como o melhor dentre os demais
clubes, instituições esportivas e mesmo países do mundo, através de suas
federações. O Fluminense Football Club é o único clube de futebol no
mundo e única instituição brasileira que já recebeu a Taça Olímpica.
A
Taça Olímpica (Coupe Olympique) foi instituída em 1906 pelo Barão
Pierre de Coubertin, o criador dos Jogos Olímpicos da era moderna e foi
atribuída pela primeira vez, ainda em 1906, ao Touring Club da França.
O caminho até a Taça Olímpica
O Fluminense Football Club, já em 1924, conhecedor das condições
exigidas aos candidatos, enviou ao COI farta documentação, inclusive
sobre a realização dos Jogos Olímpicos Latino-Americanos de 1922, um dos
eventos que foram precursores dos Jogos Olímpicos Pan-Americanos e que
aconteceram em suas novas instalações especialmente ampliadas para esse
fim, na gestão do presidente Arnaldo Guinle (hoje patrono do clube).
O
Comitê encontrava-se reunido em Paris, quando o Ministro Paulo do Rio
Branco, representante do Brasil na reunião, comunicou a candidatura do
Fluminense à obtenção da Taça no período 1926/1927, em reconhecimento à
excelente organização dos Jogos de 1922. Apesar do apoio do próprio
barão Pierre de Coubertin, o tricolor não foi feliz em sua iniciativa.
Novamente
em 1936, o clube voltou a pleitear inscrição e novo dossiê foi enviado
ao COI, desta vez reunido em Berlim, sede da XI Olimpíada, mas o
cobiçado troféu foi outorgado a outra agremiação. Com a guerra que se
estendeu por todos os continentes, o Fluminense interrompeu o trabalho
iniciado em 1924.
Em 1948, por ocasião dos XIV Jogos Olímpicos de
Londres, nova inscrição foi solicitada. O Fluminense competia com a
famosa instituição inglesa "The Central Council of Physical Recreation
London", porém nosso delegado retirou a candidatura tricolor a fim de
que, unanimemente, fosse concedido o prêmio aos anfitriões da Olimpíada,
mas renovou a proposta do tricolor para o ano seguinte.
Finalmente,
a 28 de abril de 1949 chegava a notícia da decisão tomada pelo Comitê
Olímpico Internacional reunido em Roma: o Fluminense Football Club
conquistara a Taça Olímpica de 1949, dando ao Brasil a sua mais
consagradora vitória nos desportos mundiais. Na ocasião da entrega feita
pelo COI, Jules Rimet disse: "O Fluminense é a organização esportiva
mais perfeita do mundo."
O Fluminense é o único clube da América
Latina a ter seu nome inscrito na Taça Olímpica até hoje. O Museu
Olímpico em Lausanne (Suíça), onde a taça original se encontra em
exposição permanente foi construído as margens do Lago de Genebra, por
dois arquitetos - o mexicano Pedro Ramírez Vázquez e o francês
Jean-Pierre Cohen.
1950-1960: início da Era Maracanã e a Copa Rio 1952
Em 1950, o Fluminense fez um péssimo Campeonato Carioca, embora tenha
ganhado todos os primeiros clássicos disputados no grande estádio,
exceto o disputado contra o America, terminando este campeonato em 6°
lugar. No primeiro semestre o Flu fez uma vitoriosa excursão por países
da América Latina e da América Central, tendo o tricolor Didi sido o
primeiro jogador a marcar um gol no Maracanã, defendendo a Seleção
Carioca de Futebol, no dia 16 de junho de 1950.
O Fluminense
conquistou, logo no segundo ano do Estádio do Maracanã, o título
carioca, ao vencer o Bangu nos dois jogos extras. Os três últimos jogos
do Maracanã (incluindo o pela última rodada do returno) contra o Bangu
levaram nada menos do que 232.006 torcedores ao Maracanã, em um
campeonato com intensa presença de público, o que proporcionou novos
parâmetros de arrecadação e investimento para o futebol carioca. Durante
este campeonato de 1951, o Fluminense obteve 16 vitórias, 3 empates, 3
derrotas, 54 gols pró e 22 gols contra.
Naquele ano, foi
disputado o primeiro Fla-Flu no Maracanã que fez jus ao título de o
Clássico das Multidões. Em 14 de outubro de 1951, o Fluminense venceu o
Flamengo por 1 a 0 perante 109.212 espectadores registrados (94.558
pagantes), num jogo marcado por um grande derrame de ingressos falsos,
que segundo a imprensa da época, pode ter colocado mais de 40.000
torcedores para dentro do estádio, além dos registrados.
Ainda em
1951, o Fluminense realizou dois amistosos no Maracanã contra equipes
inglesas em excursão, sendo elas o Arsenal FC, que o Flu venceu por 2 a 0
em 20 de maio de 1951 perante 43.746 espectadores (35.010 pagantes) e
contra o Portsmouth FC em 3 de junho de 1951 quando o Flu venceu por 2 a
1 com um público presente de 45.244 torcedores, sendo 37.935 pagantes.
Entre 1910 e 1951, o Fluminense realizou 44 jogos internacionais, com 17
vitórias, 12 empates e 15 derrotas, com 100 gols a favor e 103 contra.
Já com relação a partidas interestaduais, no mesmo período acima o
Fluminense disputou 298 partidas, com 159 vitórias, 58 empates e 81
derrotas, 821 gols pró e 513 contra.
Entre os dias 12 e 22 de
setembro de 1951, realizou-se no ginásio do Fluminense o primeiro
Campeonato Sul-Americano de Voleibol, com a Seleção Brasileira
sagrando-se campeão no masculino e no feminino.
No dia 30 de março de
1952 o Fluminense chegou na condição de líder à última rodada do
Torneio Rio-São Paulo, bastando vencer o Sport Club Corinthians Paulista
em São Paulo para ser campeão sem depender de outros resultados. Com a
derrota por 4 a 2, sagrou-se campeã a Associação Portuguesa de
Desportos.
Em abril deste mesmo ano a Seleção Brasileira de
Futebol conquistaria o primeiro título oficial fora de suas fronteiras
ao conquistar o Campeonato Pan-Americano de Futebol no Chile. Nesta
conquista o Fluminense colaborou com o técnico Zezé Moreira e com os
jogadores Castilho, Pinheiro e Didi, todos titulares, além de Bigode,
reserva.
No mês de julho e com a partida final acontecendo em 2 de
agosto foi disputada por oito clubes, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a
segunda edição da Copa Rio, uma das competições precursoras do
Campeonato Mundial de Clubes, tendo o Fluminense sagrado-se campeão ao
empatar em 2 a 2 com o Corinthians, já que havia ganho o primeiro jogo
das finais por 2 a 0. Nesta competição, o resultado mais expressivo foi a
vitória por 3 a 0, com cerca de 65.000 torcedores no Maracanã, sobre o
Peñarol, base da Seleção Uruguaia de Futebol que havia conquistado a
Copa do Mundo de 1950. Neste torneio, o Fluminense disputou 7 jogos, com
5 vitórias e 2 empates (no primeiro e no último jogo, contra Sporting e
Corinthians respectivamente), com 14 gols pró e apenas 4 gols contra.
Esta foi a primeira conquista expressiva de um clube carioca no Maracanã
em torneio que envolvia clubes de fora do Rio de Janeiro.
Publicou
sobre o fim da Copa Rio, o Anuário do Esporte Ilustrado 1953: "Um
detalhe que acabou marcando, de forma mais expressiva a II Copa Rio, é
que ela foi a segunda e última. Em verdade, não se sabe bem porquê,
cinco clubes do Rio e de S. Paulo reuniram-se e resolveram forçar a CBD a
extinguir a Copa Rio. Deixaram a entidade máxima com um torneio
internacional na mesma época, mas com outro nome e outro regulamento.
Inclusive aumentando o número de concorrentes brasileiros, que agora
serão quatro: dois do Rio e dois de S. Paulo. E essa fórmula nova deverá
começar a vigorar agora, neste ano de 1953".
No Torneio Rio-São
Paulo de 1954, o Fluminense chegou à última rodada bastando vencer o
Vasco (já sem chances de título) para ser campeão, pois tinha 1 ponto de
vantagem sobre o Corinthians e o Palmeiras, que disputariam o Derby
Paulista no Pacaembu. Com o Maracanã recebendo 42.031 pessoas (34.131
pagantes), o maior público desta edição do Torneio Rio-São Paulo, o
Vasco fez 1 a 0 com um gol de Vavá e fechou-se atrás aguentando a
pressão do Fluminense até o final, enquanto, em São Paulo, o Corinthians
venceu o Palmeiras por 1 a 0, sagrando-se campeão.
O maior
número de partidas do Fluminense por países da América Latina aconteceu
em 1956, quando o time realizou 17 partidas na Argentina, Colômbia,
Peru, Equador e Aruba, com 10 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. O
tricolor disputou, ainda neste ano, amistosos no Brasil. Bateu o Rosario
Central da Argentina em Uberaba por 5 a 1 e, no Rio de Janeiro, fez 3 a
0 frente ao Porto com 101.745 pessoas presentes no Maracanã, naquele
que seria o maior público do Fluminense em jogos internacionais, mesmo
com os ingressos majorados em cerca de 50% em relação aos preços do
Campeonato Carioca.
Neste período, o clube tricolor conquistou
ainda o Campeonato Carioca em 1959, sendo vice em 1953, 1957 e 1960, o
Torneio Rio-São Paulo em 1957 e 1960, torneio em que foi vice em 1954.
O
Fluminense foi campeão invicto do Torneio Rio-São Paulo de 1957, tendo
conquistado o título na penúltima rodada em São Paulo, no Estádio do
Pacaembu, ao vencer a Portuguesa por 3 a 1, com dois gols de Waldo
Machado (artilheiro da competição com 13 gols) e um de Léo para o Flu,
marcando Liminha para a Lusa. O tricolor disputou 9 partidas, vencendo 7
e obteve 2 empates, fazendo 23 gols e sofrendo 11. A maior goleada do
Flu neste torneio foi sobre o Palmeiras por 5 a 1, no Maracanã, em 4 de
maio. O último jogo foi uma vitória sobre o São Paulo Futebol Clube por 2
a 1 no Maracanã, em 2 de junho.
Em 1959, a equipe disputou 22
partidas, com 17 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota (para o Bangu,
no primeiro turno, por 1 a 0), com 45 gols pró e apenas 9 contra (3 no
empate festivo pela última rodada, contra o Botafogo). Foi campeã
carioca na penúltima rodada, ao vencer o Madureira por 2 a 0. O maior
artilheiro da história do Fluminense, Waldo Machado, marcou 14 gols
nesta competição e foi um dos grandes destaques desta equipe, que também
contava com nomes como Castilho, Pinheiro, Altair, Maurinho e Telê
Santana. Antes da derrota para o Bangu, o empate contra o Flamengo
representou a perda de uma sequência de 21 vitórias consecutivas,
recorde brasileiro no profissionalismo que só seria superado em 2011,
mas se não fosse a derrota para o Bangu por 1 a 0, o Fluminense teria
chegado a uma invencibilidade de 43 jogos, pois só seria derrotado de
novo em 14 de janeiro de 1960, na altitude da Cidade do México, para o
Club de Fútbol América, por 1 a 0.
O Flu conquistou o
bicampeonato do Torneio Rio-São Paulo em 1960 ao vencer o Palmeiras no
Maracanã em 17 de abril por 1 a 0, gol de Waldo aos 27 minutos do 1º
tempo, perante 53.738 espectadores pagantes). Em 9 jogos disputados, o
time venceu 6, obteve 2 empates e teve apenas 1 derrota, no Fla-Flu, por
2 a 1. A vitória mais expressiva foi sobre o São Paulo, por 7 a 2 em 20
de março. O artilheiro da competição foi Waldo Machado com 11 gols.
Em
maio de 1960, o clube realizou 19 jogos na Europa, em 9 países
(Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Suécia, Noruega, Hungria,
Itália e Espanha), tendo tido 13 vitórias, 1 empate e 5 derrotas na sua
mais extensa excursão ao continente europeu. As vitórias mais
expressivas foram contra times suecos: 11 a 0 no Ystads IF, 10 a 0 no
Östers IF e 9 a 0 no Combinado de Borlänge. Também fez 8 a 2 no
Combinado norueguês de Lyn/Skeid. O tricolor derrotou ainda clubes
tradicionais como o Brighton e o Middlesbrough, da Inglaterra, o
Feyenoord, da Holanda, o Genoa, da Itália e o Valencia, da Espanha. A
derrota mais expressiva foi para o Sporting em Lisboa, por 3 a 0, na
primeira partida da excursão. O empate foi contra o Standard de Liège,
na Bélgica, por 2 a 2.
O Fluminense foi ainda campeão da Zona Sul
da Taça Brasil em 1960, tendo feito com o Grêmio os jogos finais, cujos
resultados foram derrota por 1 a 0 no Estádio Olímpico (gol de Elton,
para os gaúchos, perante um público de 30.000 espectadores), vitória por
4 a 2 no segundo jogo (com 2 gols de Waldo, Jair Francisco e Maurinho
para o Flu e 2 de Gessi para o Grêmio, jogo realizado no Estádio das
Laranjeiras com ingressos majorados e estádio lotado com cerca de 20.000
pessoas, pois o Maracanã estava em passando por reformas) e, com a
vantagem de empate no jogo final, o 1 a 1 (gols de Jair Francisco e
Elton, com o Maracanã sendo reaberto pouco mais de 24 horas antes apenas
para esta partida, ainda assim recebendo cerca de 35.000 pessoas, sendo
26.631 pagantes) garantiu-lhe o título. Para chegar a esta final, o
Fluminense eliminou o Fonseca, de Niterói, com vitórias por 3 a 0 e 8 a 0
(maior goleada da história da Taça Brasil), o Cruzeiro, de Belo
Horizonte com um empate por 1 a 1 e uma vitória por 4 a 1.
Tendo
ganho a disputa regional, classificou-se para as semifinais do torneio
nacional vindo a ser desclassificado pelo Palmeiras, que terminaria
campeã deste torneio, com um empate por 0 a 0 e uma derrota por 1 a 0 no
Maracanã, perante cerca de 50.000 pessoas, com o Flu tendo sentido
muito a ausência de seu artilheiro Waldo nestes dois jogos, e mesmo
pressionando o adversário, tomou o gol da desclassificação aos 44' e 30
segundos do segundo tempo. A partir de 1962, os clubes cariocas e
paulistas passaram a entrar diretamente nas semifinais, sem passar pelos
torneios regionais.
1961-1974: vitórias no mundo, no Brasil e no estado
Em 1961, o Fluminense fez uma vitoriosa excursão pela Europa e pela
África, pois em 10 jogos venceu 7, empatou 2 e perdeu apenas 1, para o
Sporting, no primeiro jogo, por 2 a 0. As partidas foram contra o
Nacional, no Cairo (Flu 2 a 1), Tanta, na cidade egípcia do mesmo nome
(Flu 3 a 0), na Bulgária contra as seleções A e B deste país (1 a 0 e 1 a
1), na França contra o Olympique de Nice (7 a 2), na Itália, em Milão,
contra a Inter (1 a 1), encerrando a excursão na Espanha, contra o
Espanyol, em Barcelona (2 a 1), Málaga, em Málaga (6 a 0) e por último
contra o Valencia, em Valência (3 a 2). Durante a excursão, Waldo
Machado foi vendido para o Valencia, trazendo enormes prejuízos técnicos
ao Fluminense. O maior artilheiro da história tricolor se transformou
no segundo maior da história do Valencia e, após encerrar a carreira,
radicou-se definitivamente na Espanha.
Em 1963, o Fla-Flu que
decidiu o Campeonato Carioca por 0 a 0, sagrando o Flamengo campeão,
bateu o recorde mundial de público de partidas entre clubes: 194.603
espectadores (177.656 pagantes). Neste mesmo ano o Flu chegou em
terceiro lugar no Torneio Rio-São Paulo.
Assim com acontecera em
1951, Fluminense e Bangu terminaram o Campeonato Carioca de 1964
empatados com o mesmo número de pontos, sendo necessária uma melhor de
três pontos (a vitória então ainda valia 2 pontos) para definir quem
seria o campeão. O Flu venceu a primeira partida por 1 a 0 perante
64.014 pagantes com gol de Amoroso e o segundo e decisivo jogo por 3 a 1
perante 75.106 pagantes com gols de Joaquinzinho, Jorginho e Gilson
Nunes para o tricolor, descontando Bianchini para o Bangu, sagrando-se
assim campeão carioca. Na partida final, o técnico Tim mandou que o
centro-avante Amoroso voltasse para buscar o jogo, no que era
acompanhado por seu marcador, abrindo espaço para outros jogadores do
Fluminense aparecerem na área do Bangu, surpreendendo então o time
adversário. Em 26 jogos, a equipe obteve 17 vitórias, 5 empates e apenas
4 derrotas, com 48 gols pró e 17 contra. Amoroso foi o artilheiro deste
campeonato com 19 gols e então iniciava-se a carreira de Carlos Alberto
Torres, recém saído do time juvenil (atual júnior), que viria a ser
capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1970.
Em 1966, o Fluminense
foi campeão invicto da Taça Guanabara, ainda um torneio independente do
Campeonato Carioca, ao bater o Flamengo na final por 3 a 1 perante
69.730 pagantes, com 2 gols de Mário e um de Amoroso para o Flu,
descontando Silva para o rubro-negro.
Entre 1952 e 1968, o
Fluminense realizou 128 jogos internacionais, vencendo 75, empatando 23 e
perdendo 30, com 314 gols pró e 175 gols contra. Neste mesmo período, o
tricolor disputou 321 jogos interestaduais, vencendo 181, empatando 57 e
perdendo 84, com 743 gols pró e 409 contra.
O time montado pelo
técnico Telê Santana em 1969 deu alegrias durante três anos aos
tricolores, tendo conquistado, ainda em 1970, o Torneio Roberto Gomes
Pedrosa, competição que seria o modelo do futuro Campeonato Brasileiro
de Futebol, e sendo vice-campeão carioca no mesmo ano. No Torneio
Roberto Gomes Pedrosa de 1970, o Fluminense obteve 10 vitórias, 5
empates e apenas 4 derrotas. O jogo final deste Torneio foi no Maracanã
contra o Atlético Mineiro terminou em 1 a 1, perante 112.403 torcedores
pagantes. Participaram também desta fase final Cruzeiro, que o Flu
venceu por 1 a 0 no Mineirão) e o Palmeiras, derrotado pelo tricolor por
1 a 0 no Maracanã. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi criado em 1967
pelas federações carioca e paulista de futebol e organizado e
patrocinado pela CBD a partir de 1968.
Na partida decisiva contra
o Clube Atlético Mineiro, a torcida do Fluminense colocou uma faixa com
os dizeres "Pra frente, Máquina", para homenagear este grande time
tricolor, apelido que passaria a acompanhar os grandes times do Flu.
O
Fluminense foi ainda campeão da Taça Guanabara em 1969, ao vencer o
America por 1 a 0 perante 67.492 pagantes, e, em 1971, ao vencer o
Flamengo por 3 a 1, com 3 gols de Mickey. Cabe lembrar que a Taça
Guanabara até 1972 foi um torneio disputado à parte do Campeonato
Carioca.
Nestes anos, o Flu obteve 34 vitórias, 15 empates e 7
derrotas (4 em 1970), fazendo 90 gols e sofrendo 39 nos campeonatos
cariocas, sendo que sua única derrota em 1971 foi por 1 a 0 para o
Botafogo em 18 de Abril de 1971, na polêmica fase final do campeonato,
com um gol de pênalti denunciado pela imprensa como irregular e que deu a
vantagem do empate para o alvinegro no último jogo da fase final. Nesta
partida, o tricolor derrotou o Botafogo por 1 a 0, com um gol
igualmente reclamado pelos torcedores rivais como irregular.
Na
Taça Libertadores da América de 1971, o Fluminense foi desclassificado
ao perder no Maracanã para o Deportivo Itália da Venezuela por 1 a 0,
time este que o Flu havia ganhado por 6 a 0 em seu país. Abatido com o
resultado inesperado, que praticamente teria lhe dado a classificação
para a próxima fase, o time perdeu também a última partida para o
Palmeiras por 3 a 1 (em São Paulo, o Flu havia o derrotado por 2 a 0),
perdendo com isto a classificação. Os outros dois jogos do Flu foram
contra o Deportivo Galicia (Venezuela), a quem o Flu venceu por 3 a 1
fora e por 4 a 1 no Maracanã, terminando esta edição da Libertadores em
sétimo lugar.
O Flu, vice-campeão carioca em 1972, voltaria a ser
campeão no ano seguinte com um time com vários jovens recém saídos das
categorias de base, como Carlos Alberto Pintinho, Kléber, Marquinho (que
depois seria conhecido como Marco Aurélio) e Rubens Gálaxe, liderados
pelo experiente armador Gérson, o Canhotinha de Ouro. O time tricolor,
em 25 jogos, obteve 13 vitórias, 7 empates, e 5 derrotas, com 36 gols a
favor e 16 contra, tendo derrotado o Flamengo na final por 4 a 2 em jogo
disputado debaixo de muita chuva, perante 74.073 pagantes. Manfrini foi
o maior goleador tricolor e segundo do campeonato, tendo feito 13 gols.
Neste ano de 1973, o clube fez a sua maior excursão à África,
disputando 8 partidas neste continente, com 7 vitórias, 1 empate e
nenhuma derrota, com 28 gols pró e apenas 6 contra. A maior vitória foi
contra o Benfica de Luanda, quando o Flu venceu por 7 a 0 e o único
empate foi contra a Seleção de Zâmbia, por 2 a 2.
Em 1974, o time
chegou invicto e com a vantagem do empate ao jogo decisivo da Taça
Guanabara contra o America, tendo tido sua grande atuação neste ano na
vitória contra o Vasco por 5 a 1 perante 72.368 pagantes, com três gols
de Gil. Após a derrota por 1 a 0 que deu o título ao America perante
97.681 pagantes, o time caiu muito de produção e terminou o Campeonato
Carioca em quinto lugar.
1975-1986: a Máquina Tricolor
No bicampeonato carioca em 1975/1976, o Fluminense armou dois times
repletos de craques, liderados por Roberto Rivellino. A equipe,
apelidada de a Máquina Tricolor, aventurava-se em se excursões pelo
mundo, conquistando uma série de torneios amistosos de grande prestígio
internacional. No time de 1976, o único jogador que não jogou pela
Seleção Brasileira foi o atacante argentino Narciso Doval. O Fluminense
teve times com campanhas melhores e elencos mais ganhadores do que os
times de 1975 e de 1976, mas talvez nunca tenha tido times tão
habilidosos, que lotavam estádios por onde passassem pois proporcionavam
grandes espetáculos futebolísticos aos espectadores.
No
Campeonato Carioca de 1975, o Fluminense classificou-se para as finais
ao ganhar a Taça Guanabara contra o America com um gol de falta de
Rivellino aos 13 minutos do 2º tempo da prorrogação, perante 96.035
pagantes. Os adversários do tricolor na final foram o Botafogo, campeão
do segundo turno e o Vasco, campeão do terceiro. No primeiro jogo das
finais, o Fluminense venceu o Vasco por 4 a 1 perante 79.764 pagantes,
no segundo, o Vasco venceu o Botafogo por 2 a 0 e, no terceiro, com
100.703 pagantes, o Fluminense administrou o resultado, perdendo por 1 a
0, e sagrando-se campeão carioca. A campanha tricolor teve 31 jogos,
com 19 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, 53 gols a favor e 22 contra. Os
artilheiros tricolores neste campeonato foram Manfrini, com 16 gols e
Gil e Rivellino, com 11 cada um.
Após a conquista da Taça
Guanabara, para comemorar a contratação de Paulo César Lima que antes
era o grande astro do Olympique de Marseille, o Fluminense realizou um
amistoso contra o forte time do Bayern de Munique, base da Seleção Alemã
de Futebol campeã mundial de 1974, que contava em seu elenco com
jogadores como Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Georg
Schwarzenbeck, Jupp Kapellmann e a estrela nascente Karl-Heinz
Rummenigge. O amistoso foi em 10 de Junho, à noite, com 60.137
tricolores pagando ingressos e a administração do estádio tendo que
mandar abrir os portões com o jogo já começado, pois não esperava o
fluxo de público que compareceu ao Maracanã, liberando a entrada para
milhares de pessoas que não pagaram ingressos. O Fluminense ganhou o
jogo por 1 a 0, gol de Gerd Müller contra, resultado que não espelhou a
enorme disparidade técnica do Fluminense sobre o seu oponente neste dia.
Na
campanha do bicampeonato em 1976, o Fluminense disputou 32 jogos,
vencendo 23, empatando 7 e perdendo apenas 2, com 74 gols pró e 26
contra. O artilheiro e o vice deste campeonato foram tricolores, Doval
com 20 gols e Gil com 19. O Flu classificou-se para as finais ao vencer o
terceiro turno perante o Botafogo por 5 a 1 debaixo de uma enorme
tempestade. Classificaram-se também para as finais o Vasco da Gama,
campeão da Taça Guanabara, o Botafogo, campeão do segundo turno e o
America, campeão da repescagem. Como Fluminense e Vasco terminaram
empatados nesta fase final, foi necessário a realização de uma partida
extra para decidir este título e o Fluminense venceu por 1 a 0, com gol
de Doval aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, perante 127.052
pagantes. Neste campeonato, o Fluminense aplicou 8 goleadas tendo feito
4 gols ou mais, a maior contra o Goytacaz, por 9 a 0 em 24 de Abril.
O
clube disputou a Taça Teresa Herrera em 1977 contra o Real Madrid, o
Feyenoord e o Dukla Praga, base da Seleção Tchecoslovaca de Futebol,
campeão da Eurocopa. O Flu terminou campeão vencendo o Feyenoord por 2 a
0 e, na final, o Dukla, que havia eliminado o Real Madrid, por 4 a 1.
Rivellino, que em 1978 deixaria o tricolor ao ser vendido para futebol
árabe, foi eleito o grande nome do torneio.
O Flu chegaria em
terceiro nos campeonatos cariocas de 1977 e de 1978, quarto em 1979 e
seria vice-campeão do Campeonato Carioca Especial de 1979, um Torneio
Extra como existiram outros na história do Campeonato Carioca.
Em
1980, o Flu voltaria a ganhar o Campeonato Carioca com um time
praticamente formado nas Laranjeiras, pois apenas dois jogadores
(Gilberto, formado pelo Atlético Goianiense e Cláudio Adão, formado pelo
Santos) não passaram pelas categorias de base do tricolor. O Fluminense
venceu o Vasco na final por 1 a 0 gol de Edinho de falta (com 108.957
pagantes), mesmo adversário que o Flu já havia batido na decisão do
primeiro turno na disputa por pênaltis, quando 101.199 torcedores
pagaram ingressos. A campanha da garotada tricolor, em 24 jogos, teve 12
vitórias, 8 empates e 4 derrotas, com 43 gols pró e 25 contra. O
tricolor Cláudio Adão foi o artilheiro do campeonato com 20 gols.
O
Fluminense teve ainda na década de 1980 grandes momentos de sua
história, quando levantou seu primeiro título brasileiro com este nome
em 1984 ao bater o Vasco da Gama nos jogos finais, no Clássico dos
Gigantes mais importante realizado até hoje. A campanha tricolor teve 26
jogos, com 15 vitórias, 9 empates e apenas 2 derrotas, com 37 gols pró e
apenas 13 contra. Nos dois jogos finais, o Fluminense venceu o Vasco no
primeiro jogo por 1 a 0, com gol do paraguaio Romerito e empatou por 0 a
0 no segundo, perante 128.381 pagantes. A maior goleada tricolor foi
nas quartas-de-finais contra o Coritiba, no Maracanã, por 5 a 0,
empolgando os 60.385 pagantes.
Em 1981 e 1982 o Flu não foi bem
nos campeonatos cariocas, terminando-os em quinto lugar. No Campeonato
Brasileiro de 1982 o time tricolor chegou em quinto lugar, perdendo a
classificação para as semifinais com um gol incrível, de Tonho para o
Grêmio em chute de longa distância perante 69.115 torcedores no
Maracanã. No primeiro jogo empate por 1 a 1 no Estádio Olímpico e no
segundo derrota do Flu por 2 a 1.
Após conquistar a Taça
Guanabara de 1983 em um clássico contra o America em que venceu por 2 a 0
com dois gols de Assis, perante 79.275 pagantes, o Fluminense se
classificou para as finais contra o Flamengo, campeão da Taça Rio e
contra o Bangu, time que mais pontuou no campeonato. O Fluminense
empatou com o Bangu por 1 a 1, venceu o rubro-negro por 1 a 0 com um gol
de Assis aos 45 minutos do segundo tempo em jogo disputado debaixo de
muita chuva, perante 83.713 pagantes. Como o Flamengo ganhou do Bangu
por 2 a 0, sagrou-se campeão carioca. A campanha tricolor teve 24 jogos,
com 13 vitórias, 6 empates e 5 derrotas, com 31 gols pró e 13 contra. O
artilheiro tricolor foi Assis, com 11 gols e o segundo o centro-avante
Washington, com 8, jogadores que formavam uma dupla pelo seu ótimo
entendimento conhecida como o Casal 20, nome de um famoso seriado de
televisão desta época - Hart to Hart.
No Campeonato Carioca de
1984, o Fluminense chegou ao bicampeonato após 24 partidas, com 16
vitórias, 5 empates e 3 derrotas, 40 gols pró e 16 contra, com Romerito
sendo o artilheiro tricolor com 11 gols. O time tricolor classificou-se
para as finais por ter sido o clube que mais pontuou durante o
campeonato, contra o Flamengo, campeão da Taça Guanabara e o Vasco,
campeão da Taça Rio. Nas finais o Fluminense venceu o Vasco por 2 a 0
perante 94.123 pagantes e o Flamengo por 1 a 0, perante 153.520, de
novo, com gol de Assis, desta vez aos 30' do 2º tempo.
O
Fluminense chegou ao seu terceiro tricampeonato estadual em uma final
contra o Bangu em 1985, em que ganhou de 2 a 1 perante 88.162 pagantes,
com gol de Marinho para Bangu aos 4 minutos do 1º tempo e no segundo,
com gols de Romerito aos 18 minutos e Paulinho de falta, aos 31,
conquistou o título. A campanha tricolor neste ano teve 24 jogos, com 15
vitórias, 7 empates e apenas 2 derrotas, com 32 gols pró e 12 contra. O
Fluminense classificou-se para as finais ao vencer a Taça Guanabara
contra o America por 1 a 0, com gol de Romerito aos 38' do 2º tempo
perante 47.160 espectadores, disputando depois o título máximo contra o
Flamengo, campeão da Taça Rio e contra o Bangu, time que mais pontuou
durante este campeonato. No primeiro jogo das finais, contra o Flamengo
houve empate por 1 a 1 perante 95.049 pagantes e no segundo o Bangu
ganhou do Flamengo por 2 a 1, levando a vantagem do empate para o grande
jogo final contra o tricolor.
Na Taça Libertadores da América de
1985, o Flu não foi bem, terminado esta primeira fase em terceiro,
quando classificava-se apenas o líder do grupo para a fase seguinte.
Neste ano o Fluminense, disputou em jogos de ida e volta pelo Grupo 1
contra o também carioca Vasco e contra os argentinos Ferro Carril Oeste e
Argentinos Juniors, que acabou campeão desta competição. O Flu, em
campo, obteve 3 empates e 3 derrotas mas acabou ganhando os pontos do
empate de 3 a 3 contra o Vasco, que escalou irregularmente o jogador
Gersinho nesta partida, mesmo alertado antes do jogo para este risco.
A
partir de 1985, tempos difíceis para o Fluminense seriam organizados
fora de campo, pois ao assumir a presidência da Federação de Futebol do
Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Vianna garantiu que acabaria com "o
reinado dos coloridos", pois, até então, era a dupla Fla-Flu que
conquistava a maioria dos títulos cariocas. Já em 1986, foi denunciado
um escândalo de manipulação de arbitragens, intitulado pela imprensa de
"Escândalo das papeletas amarelas", que visava impedir o Fluminense de
conquistar o tetracampeonato estadual, o que foi conseguido. Além disso,
por conta de uma epidemia de dengue em seu elenco o time não pode
comparecer a um jogo contra o Americano em Campos dos Goytacazes,
perdendo os pontos e a possibilidade de se sagrar campeão, mesmo com as
dificuldades extra-campo.
1987-1999: decadência e superação
O Flu conquistou, em 1987, a Copa Kirim, no Japão, em sua mais
importante excursão à Ásia, disputando a final contra o Torino da Itália
cuja grande estrela era o brasileiro Júnior. Perante cerca de 40.000
torcedores no Estádio Olímpico de Tóquio, o Flu venceu por 2 a 0 com
gols de Washington e Tato. Nos outros jogos disputados, o Flu empatou
com a Seleção do Japão por 0 a 0, empatou com o mesmo Torino da final
por 1 a 1 e venceu a Seleção do Senegal por 7 a 0.
Já em 1989
conquistou o Torneio de Kiev. O Bangu foi convidado a última hora para
substituir o Atlético de Madrid, com o Fluminense derrotando-o na
decisão por pênaltis, por 4 a 2. Participaram também deste torneio, o
Dínamo de Kiev e a A.S. Roma.
Em 1988 e 1991, o time tricolor
chegou, mesmo com times fracos tecnicamente, embora bem organizados, às
semifinais do Campeonato Brasileiro. No campeonato de 1988 foi
desclassificado pelo Esporte Clube Bahia, após empatar por 0 a 0 no
Maracanã e perder por 2 a 1 no Estádio da Fonte Nova, que neste dia
recebeu o maior público de sua história (110.438 pagantes). Em 1991 o
Flu foi desclassificado pelo Clube Atlético Bragantino, com uma derrota
por 1 a 0 no Maracanã perante 74.781 tricolores pagantes, e já
eliminado, um empate por 1 a 1 em Bragança Paulista. Curiosamente, o
time do Bragantino era composto por muitos atletas formados no clube
tricolor e que tinham participado da conquista da quinta Copa São Paulo
de Juniores para o Fluminense em 1989, entre eles o atacante Franklin,
que marcou os gols do Bragantino nestes dois jogos.
Em 1992 o Flu
chegou à final da Copa do Brasil contra o Inter, ganhando a primeira
partida por 2 a 1 no Estádio das Laranjeiras, vindo a perder o segundo
jogo por 1 a 0 no Estádio Beira-Rio com um pênalti no mínimo polêmico,
marcado aos 42 minutos do segundo tempo. Os jogadores tricolores
retornariam para o Rio de Janeiro no mesmo voo do árbitro José Aparecido
de Oliveira, mas causaram um tumulto que impediu que o mesmo embarcasse
na mesma aeronave.
Ainda se classificou por três anos para
disputar a Copa Conmebol, um dos torneios que antecederam a atual Copa
Sul-Americana. Em 1992, quando após ganhar do Atlético Mineiro por 2 a
1, perdeu a segunda por 5 a 1, em 1993, quando ganhou do mesmo
adversário do ano anterior por 2 a 0 com o mando de campo e foi
derrotado pelo mesmo resultado em Belo Horizonte, perdendo a vaga nos
pênaltis, e, em 1996, quando perdeu para o Guarani do Paraguai por 3 a 1
em Assunção e empatou, no Rio de Janeiro, por 2 a 2.
O tricolor
só voltou a ganhar um título relevante em 1995 na inesquecível decisão
do Campeonato Estadual em um Fla-Flu emocionante com 120.418
espectadores (109.204 pagantes), em que Renato Gaúcho (o "Rei do Rio")
fez o gol da vitória por 3 a 2, com a barriga, ano em que o Fluminense
também chegou de novo às semifinais do Campeonato Brasileiro. Neste
estadual de 1995, Fluminense disputou 27 jogos, com 17 vitórias, 7
empates, 3 derrotas, 48 gols pró e 18 contra, ano do centenário do Clube
de Regatas do Flamengo como clube, não como time de futebol, e o
rubro-negro investira muito para conquistar este campeonato, mas nos 4
Fla-Flus disputados o Fluminense venceu 3 e empatou 1. No Campeonato
Brasileiro de 1995 o Flu terminou em quarto, desclassificado nas
semifinais pelo Santos Futebol Clube (4 a 1 e 2 a 5, cabendo lembrar que
nesta época não havia o critério de desempate em que gols fora de casa
valem o dobro).
Os anos seguintes foram muito difíceis para o
Tricolor de Laranjeiras. O Fluminense foi rebaixado em 1996, mas um
escândalo de arbitragem, conhecido como Escândalo Ivens Mendes, que
envolvia outros dois clubes da Série A, Atlético-PR e Corinthians,
cancelou os rebaixamentos de 1996, vindo a serem promovidos dois clubes
da Série B para o Campeonato Brasileiro de 1997, que acabou disputado
por 26 clubes. O Fluminense acabou novamente caindo em 1997 para o
Campeonato Brasileiro Série B, e em 1998 o time foi mais uma vez
rebaixado, agora para o Campeonato Brasileiro Série C. Após disputar a
Série C contra uma maioria de clubes pequenos e em campos algumas vezes
mal conservados, o time tricolor conquistou este título de forma
honrosa, começando, a partir deste momento, a reestruturar-se para
voltar a formar grandes craques e conquistar títulos de expressão. No
final de 1998, o time já dava sinais de que o clube estava retomando o
seu rumo, ao conquistar a Copa Rio, competição estadual que neste ano
contou pela última vez com a presença dos grandes clubes cariocas, ao
bater o São Cristóvão por 4 a 0 no jogo final. Em 9 jogos disputados, o
Fluminense venceu todos, com 24 gols pró e apenas 4 contra.
O
Fluminense conquistou a Série C em 1999 ao vencer o Clube Náutico
Capibaribe no Estádio dos Aflitos por 2 a 1, com 2 gols de Roger para o
Flu, descontando Rogério Capixaba para o alvirrubro pernambucano. A
campanha do Fluminense teve 22 jogos, com 14 vitórias, 3 empates e 5
derrotas, 37 gols a favor e 21 contra e o artilheiro tricolor nesta
competição foi Roni, com 6 gols. Neste ano, o Flu havia contratado o
técnico Carlos Alberto Parreira, e, com ele, além de ganhar o Campeonato
Brasileiro Série C, criou o Vale das Laranjeiras, centro de formação de
jogadores de futebol das Categorias de Base no distrito de Xerém, em
Duque de Caxias, aço de 130.000m².
2000-2006: a volta por cima
Em 2000, quando se preparava para a disputa da segunda divisão, um
problema jurídico entre clubes da Série A denominado Caso Sandro Hiroshi
impediu a realização do Campeonato Brasileiro, sendo criada a Copa João
Havelange pelo Clube dos Treze. Na organização deste campeonato,
optou-se pelo critério de convite aos clubes participantes, com o
Tricolor de Laranjeiras, por conta de suas boas participações em
campeonatos como a Copa do Brasil e o Campeonato Estadual do Rio de
Janeiro, além dos grandes públicos que compareciam aos seus jogos no
Campeonato Brasileiro Série C, foi convidado, e assim como o Bahia que
não estava então na primeira divisão, incluído entre os participantes.
A
equipe teve uma boa participação e, após ficar em terceiro na primeira
fase, caiu nas oitavas-de-final da competição contra o São Caetano,
perante 56.504 tricolores, terminado este campeonato em nono lugar.
Assim como o São Caetano, que disputou o campeonato na divisão inferior e
teve a possibilidade de chegar até à final da disputa entre os clubes
principais, o Fluminense e o Bahia permaneceram na primeira divisão no
ano seguinte, numa virada de mesa comum no Século XX e que beneficiaram
outros clubes no decorrer de sua história. Na Copa do Brasil deste ano, o
Fluminense terminou na quinta colocação.
No Torneio Rio-São Paulo de 2001 o Fluminense terminou em quarto lugar e no Campeonato Brasileiro deste ano em terceiro.
O
Fluminense conquistou o Campeonato Carioca de 2002, apelidado de Caixão
pela imprensa (numa referência ao apelido do então presidente da
federação carioca, Eduardo Viana - o Caixa D'Água), que boicotou esse
campeonato, ao vencer o Americano por 2 a 0 e por 3 a 1 nos jogos
finais, o último assistido por cerca de 37.000 pessoas (26.663
pagantes), em campeonato altamente desmotivado, disputado sem a
cobertura da imprensa, com a fase final sendo realizada durante a Copa
do Mundo de 2002 e com os grandes clubes utilizando seus elencos
reservas nas fases iniciais pois disputavam o Torneio Rio-São Paulo.
Tendo sido campeão carioca no dia 27 de Junho, três dias antes da
Seleção Brasileira ganhar a Copa do Mundo deste ano, a torcida tricolor
aproveitou para fazer a festa do título carioca no ano do centenário do
Fluminense justamente neste dia e em muitos lugares do Grande Rio de
Janeiro, havia tantas camisas tricolores quanto brasileiras neste dia
festivo. A campanha tricolor em 28 jogos teve 14 vitórias, 5 empates e 9
derrotas, com 45 gols a favor e 33 contra.
Neste ano de 2002, o
Fluminense comemorou o seu centenário com grandes eventos praticamente o
ano inteiro. O grande presente para a torcida foi a contratação do
jogador Romário, que, logo em sua estreia, brilhou no Campeonato
Brasileiro contra o Cruzeiro, quando o Flu venceu por 5 a 1 com cerca de
70.000 tricolores em festa. O Fluminense terminou este campeonato em
quarto lugar. Neste ano, Romário jogou bem e fez muitos gols, embora
tenha se indisposto com o outro goleador do time, Magno Alves, que
depois acabou saindo do clube para brilhar na Coreia do Sul e no Japão.
Com o passar dos anos, Romário foi caindo de produção e, em 2003, já não
esteve bem no Campeonato Brasileiro.
No ano de 2003, o tricolor
disputou a Copa Sul-Americana pela primeira vez, vencendo o Corinthians
por 2 a 0, o Atlético Mineiro também por 2 a 0 e veio a cair na segunda
fase ao perder para o São Paulo por 1 a 0 no Morumbi e empatar, no Rio
de Janeiro, por 1 a 1.
A melhor performance do Fluminense em 2004 foi no Campeonato Brasileiro, quando chegou em nono lugar.
O
Fluminense teve grandes momentos durante o ano de 2005 e, após perder o
primeiro jogo das finais para o Volta Redonda Futebol Clube por 4 a 3,
conquistou o Campeonato Carioca com 70.830 tricolores (63.762 pagantes)
comparecendo ao segundo jogo final em que o Flu ganhou por 3 a 1. O
Fluminense classificou-se para as finais contra o Volta Redonda, campeão
da Taça Guanabara, ao vencer o Flamengo por 4 a 1 na decisão da Taça
Rio perante 74.650 torcedores (65.672 pagantes) com uma grande atuação.
Neste campeonato, em 15 jogos o Fluminense obteve 8 vitórias, 3 empates e
4 derrotas, com 40 gols pró e 22 contra.
Em 2005, o Fluminense
também chegou à sua segunda final da Copa do Brasil, perdendo o título
para o Paulista de Jundiaí ao empatar por 0 a 0, com o jogo sendo
disputado no Estádio São Januário perante 25.000 torcedores, já que o
Maracanã estava em reformas, assim como já acontecera em 1992, quando o
Fluminense não teve a oportunidade de usar o Maracanã na Copa do Brasil,
estádio onde manda a maioria de seus jogos. Desfalcado, o Flu havia
entrado com vários reservas no primeiro jogo desta final, perdendo para o
Paulista em Jundiaí por 2 a 0. No Campeonato Brasileiro a equipe
tricolor chegou em quinto lugar.
Na Copa Sul-Americana daquele
ano, o Fluminense também fez boa campanha, só caindo nas
quartas-de-finais para o Universidad Católica, a quem ganhou por 2 a 1
no Rio de Janeiro, perdendo por 2 a 0 em Santiago do Chile. Em 6 jogos
nesta Copa Sul Americana, o Fluminense obteve 3 vitórias, 1 empate e 2
derrotas, 8 gols pró e 7 contra.
No ano de 2006, apesar de ter um
elenco forte tecnicamente, o Fluminense sofreu com graves erros de
gestão, por conta de falta de um planejamento adequado, fazendo com que o
clube trocasse seis vezes de técnico, o que levou o Fluminense a ter um
rendimento insatisfatório no futebol profissional, muito parecido com o
ano de 2003, quando, após as grandiosas comemorações de seu centenário
no ano anterior, o Fluminense começou a sua preparação mais tarde do que
os clubes que tiveram sucesso naquele ano e, por isto mesmo, teve
inúmeros problemas de contusão em seu elenco profissional por preparação
física inadequada e depois tentativas passionais em sua gestão visando
tentar corrigir os erros anteriores.
Em 2006, na Copa
Sul-Americana, disputou a primeira fase contra o Botafogo, vindo a se
classificar nos pênaltis após dois empates por 1 a 1. Na fase seguinte o
Fluminense acabou eliminado pelo Gimnasia y Esgrima de La Plata, da
Argentina, ao empatar o primeiro jogo por 1 a 1 e perder o seguinte na
casa do adversário por 2 a 0.
Nas 4 Copas Sul Americanas
disputadas por clubes brasileiros entre 2003 e 2006, o Fluminense
disputou 3, contabilizando 5 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, 18 gols
pró e 11 contra, sendo até então o quarto clube brasileiro que mais
pontuou na história desta competição. A melhor campanha tricolor foi em
2005, quando caiu nas quartas-de-finais, terminando em quinto lugar. Até
este último jogo da Copa Sul-Americana contra o Gimnasia, no período
entre 1968 e 2006, o Fluminense disputou 149 partidas contra clubes ou
Seleções estrangeiras (desconsiderando jogos contra clubes brasileiros
no exterior ou em competições internacionais nestas estatísticas), com
76 vitórias, 37 empates, 34 derrotas, 291 gols a favor e 183 contra.
2007-2009: o título da Copa do Brasil e os vices na Libertadores da América e na Copa Sul-Americana
O Fluminense refez o seu time em 2007 a após um péssimo Campeonato
Carioca chegou à sua terceira final da Copa do Brasil, desta vez sendo
campeão contra o Figueirense, ao vencer o segundo jogo da decisão por 1 a
0 em Florianópolis (com gol de Roger), após ter empatado o primeiro
jogo decisivo por 1 a 1 no Rio de Janeiro, com todos os 64.669 ingressos
colocados à venda no Maracanã tendo sido vendidos com antecedência de
48 horas, já que o grande estádio ainda está finalizando as obras para
fazer parte do complexo esportivo dos Jogos Pan-americanos de 2007 e
ainda não tinha condições para atender a sua capacidade máxima de cerca
de 90.000 espectadores, como ocorreu após o fim das reformas. Para
chegar ao título de campeão da Copa do Brasil, o Fluminense passou pela
ADESG (2 a 1 e 6 a 0), América Futebol Clube (RN) (0 a 1 e 2 a 1), Bahia
(1 a 1 e 2 a 2), Atlético Paranaense (1 a 1 e 1 a 0), Brasiliense (4 a 2
e 1 a 1) e Figueirense (1 a 1 e 1 a 0), com isto classificando-se para
disputar a Taça Libertadores da América em 2008. Adriano Magrão e Alex
Dias foram os artilheiros tricolores nesta competição, com 4 gols cada
um.
Ao final da Copa do Brasil de 2007, o Fluminense totalizou 91
jogos na história desta competição, com 48 vitórias, 26 empates e 18
derrotas, 166 gols pró e 103 contra, tendo estado presente em 14
edições, sendo esta a sétima melhor performance entre os clubes que já
disputaram o segundo torneio mais importante do Brasil até 2007. As
maiores vitórias tricolores até então foram de 6 a 0 contra a Adesg na
campanha de 2007 e de igual placar sobre o Maranhão Atlético Clube em 4
de Maio de 2000.
No dia 12 de Maio de 2007, a Câmara dos
Vereadores do Rio de Janeiro aprovou lei que declara o dia 21 de Julho
como o Dia do Fluminense e dos Tricolores, não por acaso o dia da
fundação do clube.
No Campeonato Brasileiro de 2007 o Fluminense
terminou em quarto lugar, sendo esta a nona vez que o Tricolor terminou
entre os quatro primeiros colocados deste campeonato, a melhor
performance de um clube do Estado do Rio de Janeiro neste quesito.
Considerando-se o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, precursor deste
campeonato, esta seria a décima vez. Thiago Neves, o seu camisa 10,
ganhou a Bola de Ouro da revista Placar, como o melhor jogador desta
edição, em que Thiago Silva também foi eleito, neste caso como um dos
zagueiros para a seleção do campeonato.
Tendo terminado o
Campeonato Carioca de 2008 em terceiro lugar, o Fluminense foi o clube
que mais somou pontos entre todos os participantes da Copa Libertadores
da América de 2008 na primeira fase desta competição, habilitando-se a
disputar a segunda partida das demais fases eliminatórias, no Maracanã.
Na
primeira fase o Fluminense superou a LDU (Equador, 0 a 0 e 1 a 0), o
Arsenal de Sarandí (Argentina, 6 a 0 – maior goleada de um clube
brasileiro sobre uma equipe argentina na história da Libertadores – e 0 a
2) e o Libertad (Paraguai, 2 a 1 e 2 a 0). Na segunda fase eliminou o
Atlético Nacional (Colômbia, 2 a 1 e 1 a 0) e na terceira o São Paulo
(Brasil, 0 a 1 e 3 a 1), quando um público de 72.910 pessoas compareceu
ao Maracanã, sendo 68.191 pagantes) para ver o uma das partidas mais
marcantes do torneio em que o Flu vencia por 2 a 1 placar que era
favorável ao time paulista, Washington fez de cabeça aos 46 minutos do
2º tempo classificando assim o Flu. Na quarta fase, o Fluminense
disputou as semifinais contra o Boca Juniors, da Argentina, obtendo
empate por 2 a 2 na primeira partida em Buenos Aires, e vitória por 3 a 1
no jogo de volta no Maracanã, perante 84.632 torcedores (78.856
pagantes), classificando-se para a final contra a LDU, com quem já jogou
na primeira fase desta competição, em um grupo que era chamado pela
imprensa internacional de Grupo da Morte, pela competitividade dos
clubes participantes.
Na primeira partida da fase decisiva, no
Estádio Casablanca, em Quito, a LDU venceu o Fluminense por 4 a 2.
Enquanto aguardava-se a partida de 2 de julho no Maracanã, os 78.918
ingressos colocados à venda foram esgotados em poucas horas de venda
ainda no dia 23 de junho, batendo o recorde brasileiro de renda em
partidas entre clubes, tendo sido arrecadados R$ 3.910.044,00 apenas com
a venda de entradas. Após uma excelente partida, perante 86.027
torcedores presentes, o Fluminense derrotou o adversário por 3 a 1, com
três gols de Thiago Neves (primeiro jogador a fazer três gols numa final
de Libertadores), levando a decisão para os pênaltis, quando foi
derrotado por 3 a 1.[56] Essa mesma final foi considerada a final com
mais gols da história da Copa Libertadores da América; 10 gols anotados
nas duas partidas, desconsiderando a disputa por pênaltis.
Apesar
da derrota na final, o apoio dos torcedores ao time foi incondicional,
vista a excelente campanha do time no campeonato mais importante para os
clubes sul-americanos. Ressalta-se, portanto, que em 9 anos o
Fluminense carioca passou da Série C para a final da Libertadores,
resgatando o prestígio que o clube sempre teve, exceto na segunda metade
da década de 1990, um período curto, mas difícil para os tricolores.
No
Campeonato Brasileiro de 2008, tendo optado por disputar metade do
campeonato com o time reserva para priorizar a disputa da Copa
Libertadores da América, o time lutou contra o rebaixamento até a
penúltima rodada, onde arrancou um empate com o São Paulo no Morumbi por
1 a 1, acabando com as possibilidades de rebaixamento.
Na última
rodada, a torcida tricolor levou 51.172 torcedores presentes contra o
Ipatinga (MG), para ver a despedida de Thiago Silva, carinhosamente
chamado de "monstro" pelos torcedores, devido sua grandeza e garra em
campo. Com o empate por 1 a 1 o Fluminense terminou o campeonato na 14ª
posição classificando-se para a Copa Sul-Americana de 2009, e o seu
atacante Washington terminou como artilheiro desta edição do Campeonato
Brasileiro, tendo marcado 21 gols.
O seu zagueiro Thiago Silva
foi eleito o melhor zagueiro-central do Campeonato Brasileiro de 2008 e
ainda ganhou o Craque da Galera estabelecido pelo Globoesporte.com ,
como o melhor jogador deste campeonato, eleito por voto popular com
1.252.073 votos, cerca de 47% do total apurado.
Em 2009, com
sucessivas trocas de técnicos e chegada constante de novos jogadores
durante as competições, o Fluminense apresentou uma campanha bastante
irregular, terminando o Campeonato Carioca em quarto, mas fazendo
história na Copa do Brasil ao se tornar o oitavo clube a completar 100
jogos nesta competição (51 vitórias, 29 empates e 20 derrotas, 179 gols
pró e 111 contra), no empate por 2 a 2 contra o Sport Club Corinthians
Paulista, que seria o campeão desta competição, perante 68.158
torcedores presentes, vindo a terminar esta competição em sexto lugar.
2009-2011: de 99% rebaixado a 100% campeão - O Time de Guerreiros faz história
No Campeonato Brasileiro o time apresentava um desempenho sofrível, mas
ao vencer o Avaí Futebol Clube por 3 a 2 em 27 de setembro passou a
vencer a maioria de seus jogos e reanimou a sua torcida, que jogo após
jogo, foi aumentando a sua presença nos estádios, chegando a levar
66.884 torcedores ao Maracanã na vitória sobre o Palmeiras por 1 a 0 em 8
de novembro, 55.030 na semana seguinte, na vitória de 2 a 1 contra o
Clube Atlético Paranaense e 55.083 na vitória de 4 a 0 contra o Esporte
Clube Vitória em 29 de novembro, quando conseguiu sair da zona de
rebaixamento após 27 rodadas. Ao empatar com o Coritiba por 1 a 1 no
Estádio Couto Pereira na última rodada, após manter-se invicto nos
últimos 11 jogos por essa competição, o Flu escapou do rebaixamento, o
que desencadeou violentas manifestações no estádio após o jogo, com
dezenas de pessoas feridas, pelo rebaixamento deste clube paranaense.
Enquanto
isso, pela Copa Sul-Americana o Fluminense completou 24 jogos de
invencibilidade em competições da Conmebol com o mando de campo (a
última derrota aconteceu contra o Argentinos Juniors em 5 de agosto de
1985, clube que seria o campeão desta edição da Libertadores, ou 27
jogos, caso sejam considerados os jogos no Rio contra Vasco, Botafogo e
Flamengo neste período, com o mando de campo dos adversários) após
eliminar o Flamengo, golear o Alianza Atlético (Peru) por 4 a 1, em 1 de
outubro, vencer o Universidad do Chile por 1 a 0, em 5 de novembro e o
Cerro Porteño por 2 a 1 em 18 de novembro.
Nas semifinais, o
Fluminense enfrentou o Cerro Porteño do Paraguai, tendo vencido a
primeira partida em Assunção, por 1 a 0. Como acontecera na vitória
sobre o Universidad de Chile, quando os torcedores locais atiraram
objetos no time tricolor, os torcedores do Cerro atiraram pedras nos
jogadores do Flu, vindo a ferir um policial local. Na partida de volta
no Estádio do Maracanã, nova vitória, agora por 2 a 1, com os
desesperados paraguaios arrumando briga ao final do jogo, que teve
41.816 espectadores presentes.
Na final, o Fluminense enfrentou a
LDU do Equador, mesmo adversário da decisão da Copa Libertadores da
América de 2008, tendo perdido a primeira partida na altitude de Quito,
por 5 a 1, precisando ganhar de 4 gols de diferença na partida de volta
para levar a decisão para a prorrogação. Na partida do Maracanã, o Flu
ganhou por 3 a 0 perante 69.565 torcedores presentes, tendo tido ainda
um gol anulado em mais uma arbitragem de final continental polêmica,
saindo de campo bastante aplaudido pela sua grande atuação,daí surgiu a
alcunha: "Time de guerreiros". Pela segunda vez, a disputa entre as duas
equipes acabou em outra final com mais gols na história da competição: 9
gols nas duas partidas.
A última partida do ano contra o
Coritiba, na cidade de Curitiba, era um dos jogos decisivos para definir
o rebaixamento, e foi um jogo dramático. Com a vitória do Botafogo
sobre o Palmeiras, o empate assegurava ao Fluminense a permanência na
primeira divisão de 2010, enquanto o Coritiba necessitava da vitória
para se salvar. O Flu começou marcando com um gol legítimo de Fred,
porém não validado pela arbitragem. Marquinho, de falta, abriu o placar
para o tricolor, com o Coritiba conseguindo o empate, que decretou o
resultado final de 1 a 1. Com o resultado, o Fluminense atingiu seu
objetivo de permanecer na série A, consagrando uma das mais belas
reações já vistas no futebol, visto que chegou a ter calculado pelos
estatísticos 98,3% de possibilidades de cair e que, a 10 rodadas do fim
do campeonato, estava com 22 pontos somados e a 9 pontos do primeiro
time fora da zona de rebaixamento.
O Fluminense permaneceu
invicto nas últimas 11 partidas disputadas pelo Campeonato Brasileiro de
2009, com 4 empates e 7 vitórias, sendo 6 delas consecutivas. Se
considerarmos também a Copa Sul-Americana, foi uma invencibilidade total
de 13 partidas, com 8 vitórias consecutivas. Das últimas 12 partidas do
clube na temporada o Fluminense obteve 10 vitórias, 1 empate e 1
derrota.
Pela segunda vez consecutiva, agora em 2009, o
Fluminense teve eleito por voto popular um jogador seu como o Craque da
Galera do Campeonato Brasileiro de Futebol, desta vez o argentino Conca
com mais de 9.000.000 de votos (cerca de 51% do total dos votos).
No
Campeonato Carioca 2010, o Fluminense terminou na terceira colocação,
com 11 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas, 36 gols a favor e 13
contra, enquanto na Copa do Brasil, após passar pelo Confiança, Uberaba e
Portuguesa de Desportos, o Flu foi desclassificado nas
quartas-de-finais contra o Grêmio, perdendo as duas partidas em que
jogou desfalcado de seus dois principais atacantes (Fred e Allan, os
dois com crises de apendicite que os levaram a serem operados), além de
Conca no primeiro jogo e Mariano no segundo.
O Fluminense
terminou a fase pré-Copa do Mundo de 2010 do Campeonato Brasileiro ao
vencer o Avaí em Florianópolis por 3 a 0, em terceiro lugar, com 15
pontos, 2 atrás dos dois primeiros colocados, com 5 vitórias, 2
derrotas, 11 gols a favor e 5 contra. Dos 96 pontos disputados neste ano
até essa partida, o time conquistou 67, com 21 vitórias, 4 empates, 7
derrotas, 62 gols a favor e 32 contra. O Avaí não perdia no Estádio da
Ressacada há cerca de 9 meses (25 jogos).
Por ter sido o campeão
simbólico do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2010,
quando fez 38 pontos em 19 jogos (11 vitórias, 5 empates e 3 derrotas,
32 gols pró e 16 contra), tendo ainda ficado invicto por 15 rodadas
nesse período, o Fluminense conquistou o Troféu Osmar Santos, oferecido
pelo Jornal LANCE!.
Com uma sequência final de nove jogos
invictos, o Fluminense sagrou-se campeão nacional pela terceira vez,
sendo este o quarto título nacional do técnico Muricy Ramalho nesta
década. O título de campeão brasileiro de 2010 foi o primeiro título
relevante conquistado por um clube no Estádio do Engenhão, com o
Cruzeiro, que venceu o Palmeiras, sagrando-se vice-campeão, já que o
Corinthians apenas empatou com o Goiás. O Fluminense somou 71 pontos,
com 20 vitórias, 11 empates e 7 derrotas, 62 gols pró e 36 gols contra,
62,3% de aproveitamento, tendo liderado o campeonato em 23 das 38
rodadas, com o argentino Conca tendo sido considerado o melhor jogador
do campeonato pela CBF (júri e voto popular), jornal LANCE! e revista
PLACAR, ele que jogou os 38 jogos, foi o artilheiro do time com 9 gols
(Washington fez 10 gols no campeonato, mas 2 foram pelo São Paulo) e deu
19 assistências para gols tricolores. O lateral Mariano e o técnico
Muricy foram outros destacados pela imprensa, assim como Émerson foi
considerado o herói da partida decisiva.
Tendo perdido o seu
treinador Muricy Ramalho no dia 13 de março, o Fluminense viveu momentos
conturbados, mas ainda conseguiu terminar o Campeonato Carioca de 2011
como vice-campeão, tendo o seu atacante Fred terminado como artilheiro
desta competição. Na disputa da Copa Libertadores da América de 2011,
tendo disputado mais uma vez, aquele que era considerado pela imprensa
como o grupo mais difícil da competição, conseguiu classificação para a
segunda fase ao golear o Argentinos Juniors por 4 a 2 em Buenos Aires,
quando tinha apenas 8% de possibilidades matemáticas de se classificar
para a segunda fase segundo os estatísticos, com o time tendo sido
recebido por cerca de 1.000 torcedores em festa ao chegar ao Aeroporto
do Galeão em 22 de abril.
Na primeira partida válida pelas
oitavas de finais da competição de clubes mais importante do continente
americano, ganhou do Club Libertad, do Paraguai, por 3 a 1 no Estádio do
Engenhão, perante 25.378 torcedores presentes, vindo a ser eliminado
por 3 a 0 na partida de volta, quando jogando cautelosamente para
garantir o resultado que lhe favorecia, tomou dois gols nos últimos
cinco minutos da partida.
No Campeonato Brasileiro de 2011 o time
tricolor começou bastante irregular, terminando o primeiro turno em 11º
lugar, com 25 pontos em 19 rodadas, passando a ter atuações bastante
convincentes no segundo turno, quando com apenas 11 jogos, fez o mesmo
número de pontos que havia feito em todo o primeiro turno. Ao vencer o
time do Figueirense por 4 a 0 no Estádio Orlando Scarpelli, em 20 de
novembro, em partida válida pela antepenúltima rodada, o Fluminense
garantiu vaga para a Copa Libertadores da América de 2012, além de
conquistar o título simbólico de campeão do segundo turno do Campeonato
Brasileiro, ganhando o Troféu João Saldanha, pois o único clube que
poderia alcançá-lo em número de pontos seria justamente o Figueirense,
que seria derrotado pelo maior número de vitórias tricolores. Ao fim
deste campeonato, o Fluminense obteve a terceira colocação, com 63
pontos, 20 vitórias, 3 empates, 15 derrotas, 60 gols pró (ataque mais
positivo do campeonato) e 51 contra. Fred terminou a competição como
vice-artilheiro, com 22 gols, recorde de um jogador do Fluminense em uma
única edição do Campeonato Brasileiro. Ainda com o Estádio do Maracanã
fechado para obras, o recorde de público do Fluminense nesta competição
foi de 40.232 presentes, na partida contra o América-MG, disputada em 12
de novembro.
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